segunda-feira, 27 de novembro de 2006

VENTO

E como se parecesse mesmo inestático, o movimento doce... E nela também!


Caindo pelos montes umbralmente,
Como se entojando fossem as matas
E como que nada mais se devesse conter,
Calmamente vem vento.

E vindo vento
Não se achega tanto,
Soprando a face,
Envolvendo a pele coberta de pele;

Como se sem sentido,
O tato do vento...
O toque dele na mais sutil pele,
Pêlos e pomos!

Recaindo nas montanhas,
Movendo as nuvens cálidas,
Como se parecesse o baluarte da inconstância
A doce inconstância inexplicável

E irrenunciável de se viver em progressão
Leve, em leveza...
Como nada mais fosse soprado,
Vem por si o vendo,

E vendo o vento,
Ele nem se pode dar preço,
Pois nem haveria alma capitalista
Que me dissesse o vendo,

Eu não quero mesmo
Nunca ver quem venda o vento.
Não o vento ventilado, o refrigerado,
Mas esse que bate na minha varanda!
Que não bate em mais nenhuma!


E me faz sentir:
Vivo estou em vento,
E vindo ele, vai-se o que não ficou,
Volta o que ainda não chega.

E me basta a pele,
O vento e o sol,
Que não sabem pra que são,
Nem cá mesmo serão presos,

Porque o vento não se prende em palavra...
Nem em poesia...
Mas o vento aprisionou minha poesia
E a fez voar com ele,

Aos ventos pra onde eu não mais a vejo,
Mas espero q seja também
Vento aí em ti que lê...
Vento, vento... foi-se

Um comentário:

Anônimo disse...

vento, vento,
que esse vento te traga até mim!
bjos guri