terça-feira, 21 de fevereiro de 2006

SAUDADE



Por saudade que só há nessa gíria romântica, a paradoxal.

Não quer mesmo,
Nem um dia q seja,
Estar sem saudade no peito...
Já que nunca se pode
Estar perto de todas as coisas amadas;
Ou amar todas
As que situam seu bem-querer ao lado.

Saudade mais,
Mesmo que tudo,
É modo de horizonte
Do bem-quisto,
Distante, utópico...
E, plenamente, quase insano;

Saudade de tudo.
Aquilo que no coração se acalenta
Com um cantar perene...
De nostalgia e alegria;
Pelas primaveras cálidas
Que se passam,
E deixam a marca funda.
No fundo.
Das fendas frontais do coração.

Acariciando o hipotálamo
Com umas boas imagens,
E afãs impetuosos:
Intempestivos e premeditados.

Todos eles assim
Em cima da dor da distância,
Ao lado do amor;
E do não saber
Quando se tem de novo,

Mas quando se sabe
Poder logo ter,
Se faz regozijo inexpiável.

Essa é a saudade.
E chega dela!
Porque é bom demais
Sentir saudade
Do que está ao lado.
Dentro de si

OLHAR

Sobre o olhar...

Por longe se caem os dois,
Dois olhos de cada lado,
No meio:
A mais distante coisa!
(Que se pode ver).

Talvez, nem mesmo eles vejam.
Mas esta lá:
A barreira!,

Que um olhar,
Nem assim,
Pôde quebrar,
E assim eles se vêem:
Um do lado de cá...
E a outra de lá.

Tentando olhar...
Por um olhar,
Como se faz
O que não se vê sumir

E chegar-se esse olhar
Próximo daquele,
E entre eles:
Que se fechem os olhares
E tomem lugar,
Nessa proximidade,
Uns e outros afetos próximos.