quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

DES-Sentir






– Conturbado isso!...
– Demais!, ela diz.
E eu com toda essa personalidade border-line...
Parece difícil querer manter o bem-querer.

E querer bem quem se quer!
Ela quer o que nem sabe.
E ele sabe q ela não quer.
Impossível!

Plausível,
Mas inimaginável é a tessalônica frigidez mórbida
Dessa austeridade frívola,
E frívola mesmo mais que austera,

Me alterou-me a mim,
Tornou minha compleição retorcida e impura;
E imerso nessa dissecação pútrida,
Me vejo redargüir as loucuras tolas de talvez ter esquecido.

Parece que não se vê bem.
Que não é bem.
Que não se é bem.
Quem bem o que era deixou de ser,

Encontrou-me, enfim, a apatia,
E a ela, os melindres da indecisão;
Parece que não se pode mais voltar,
A vontade estacionou...

E factualmente virou pó,
Ela me manda cheirá-lo,
Mas como o pó de vontade?
Des-sentir, des-carar, volver?

Parece loucura!
Mas é eufórica a perda;
É eufórica a procura;
É eufórica a alucinação do entendimento.

Do retorno,
Do bem entender,
Parece que a ébriedade de sentir
Está em esquecer,

E que vontade mais suprema
A de nada querer.
Parece que só queremos
O tédio!

E que tédio tedioso,
Parece-me o senso inato
De avolução soberba,
E nesse não tem fim,

Mas q marasmo imbecil!
Que faria meu avô?
Comprava um estilingue?
Vamos caçar pássaros,

E que...
Ninguém mais voe,
Porque a queda
É feia demais...

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