sábado, 23 de dezembro de 2006

Loucura?




Hoje parece ter sido um daqueles dias bastante engraçados.

Em que eu me pergunto: por que achar ser loucura, ou procurar alguma em manicômios coisas que se vêem em sua própria rotina rotineiramente estabelecida?

Então você pode vir a criar uma nova dúvida… qual?

Eu tenho a resposta!

Vamos fazer, portanto, como fazem os grandes cientistas loucos, sim isso mesmo! Os cientistas loucos!

—O que fazem eles, ó mestre do sortilégio?
Eu novamente digo: eles se usam como cobaias para seus experimentos. Então seja eu mesmo uma delas (muhahaha* [sic])

Podemos assim, isto tudo já bem posto em palavras, começar e dizer.
Tenhamos então a experiência!





Hoje, em meu dia diário, o próprio, o mesmo, o que se pareceu muito com o de ontem em termos de contagem de horas, e com todos os anos anteriores contados pela lógica gregoriana, ocorreu o seguinte:

I – Eu acordei com uma dor as costas horrendas que me fizeram notar que estava vivo, e que já se perpetua há três dias, e pensei para mim mesmo: Ó céus! Que modo patético de se sentir vivo é sentir dor; logo após não contente reprovei-me por estar dizendo tamanha coisa estranha, ipsis litteris quodanmodo: And I’ve got to stop saying those things (at least out loud)!

II – tendo ficado um pouco mortificado com a falta do que no dia fazer, conversei lá com uma dessas minhas almas que me fazem sentir amante amado amável e pouco casto, sobre a maior sorte de filmes, e entre eles o que me fascina (um deles), O Violino Vermelho. E claro, pois, por ser uma das muitas mostras de erudismo levemente empolado e impoluto no qual se vive a vida de um violino de 300 anos que para qualquer humano já motivo de torcer narizes e pensamentos “ó-meu-deus-alguém-realmente-assiste-isto-e-gosta?”. O que me leva, enfim, novamente, ao lugar dos intelectualóides que ultrapassarem essa barreira e realmente gostam dessas extravagâncias inconvencionais (existem extravagâncias convencionais? A fome talvez...);

III – Não contente em não ter encontrado em nenhuma locadora e em nenhuma loja on-line sequer essa obra cinemática, fui-me lá eu aos portentosos ventos de cabrocha filosófica. Pois que entediado, nada mais me aprazeria de tal sorte! Então vi-me em Immanuel (Emmanuel?) Kant, fui percorrendo sua biografia monótona perdida em rotina, tal como a minha, mas tanto mais metódica. E parece que ele mesmo era uma rotunda mostra do que a tranqüilidade da repetição pode fazer a uma mente; e, pois bem, lá tinha ele tudo em sua cidadezinha prussiana e de lá saiu bem pouquinho. Mas então parece que aprendi, mas não apreendi essas hipóteses imperativas, essas categorias a priori, nem tampouco essas críticas pouco práticas à razão da levedura.

IV – Logo após isso assisti a um filme que tratava de uma cantora de ópera, um cão de guarda tarado e seu treinador, gângsteres, mulheres chinesas descontentes com o casamento com o treinador, uma irmã pouco convencional, umas pontes de safena e um advogado. E tudo isso me pareceu coerente antes de escrever isso! Pasmem (mas, só se for espasmodicamente)!

V – Antes do filme tinha posto a lasanha pra esquentar e almoçar. Porque coloquei depois esse fato? Bom, pelo simples motivo de eu ter só sido lembrado por minha irmã que eu o tinha feito nesse momento, em meio ao filme. Ação a qual teve por resultado um pessoa que vos escreve ter se nutrido de lasanha carbonizada, e por deus!, não eram os quaternários.

VI – Ainda voltado a irmã, identifiquei ainda nela a anomalia ainda não catalogada, que eu gosto de chamar: Daughter Magnetron Disease.

VII – E claro ainda servi de ajudante mediato de um marinheiro, conheci a mãe dele, a filha de outro (marinheiro).

VIII – Comi um bocado de panettone.

IX – Senti dor nas costas novamente e vi tantas outras coisas.

Mas no final, ainda que tenha sido um dia de filosofia kantiana, cachorros, panettone, dores, contatos, lasanhas carbonizadas e um novo membro canino na família (do qual retirei os excrementos que tinha depositado na varanda), o meu dia não beirou em nada a loucura. E pior me fez pensar, pra que buscar loucura em outras vidas, em outros lugares, em outras substancias que não os neuropeptídicos naturais, em manicômios em outros lugares, se há tanta na rotina de uma pessoa perceptiva.

E parece que só me difiro em ser cientista louco das pessoas normais ao perceber o tamanho de tanta loucura rodeando a minha volta. E como disse o baixinho e eremita Kant: Experiência é poder interpretar o que observa (maisis o menis litteris)!

Afinal, que problema há na reticência?

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